ENSINANDO TECNOLOGIA


 

 

 

                Newton C. Braga

 

 

As escolas do mundo inteiro estão descobrindo que ensinar tecnologia é algo de vital importância para a preparação do futuro de nossos cidadãos. Mais do que isso, as escolas, depois de uma breve temporada em que elas acreditavam que ensinar tecnologia significava ensinar a usar o computador acessando a Internet, descobriram que estavam erradas. Ensinar tecnologia é muito mais do que ensinar a surfar na Internet. Ensinar tecnologia é ensinar como as coisas que usam tecnologia no mundo que nos cerca funcionam, como usá-las, e tornar capaz de montar coisas semelhantes, num grau de sofisticação menor. Em outras palavras, ensinar tecnologia significa ensinar fundamentos da eletrônica, mecânica, informática e da mecatrônica de uma forma prática e acessível. Indo um pouco além, não defendemos apenas a idéia de se ensinar tecnologia para entender como as coisas do nosso mundo real funcionam. Mais do que isso, defendemos a idéia de que podemos usar a tecnologia para entender melhor outras ciências do currículo do ensino fundamental e médio. A tecnologia pode ter projetos que funcionem como temas transversais de diversas disciplinas como a física, biologia, química e até mesmo as ciências humanas. Por tecnologia entendemos o ensino da eletrônica básica, mecânica e informática e da mecatrônica (que abrange a robótica) e que podem ainda contar com apoio de outras tecnologias modernas como a ciência da computação e a própria inteligência artificial. Isso torna o computador não só o centro da tecnologia nas escolas, mas uma ferramenta muito importante para seu aprendizado.
A Mecatrônica é fruto da união da eletrônica com a mecânica, além de outras tecnologias. Muitas pessoas são tentadas a associar a mecatrônica somente à robótica. Essas pessoas não estão totalmente erradas. A Robótica é um ramo da mecatrônica e no próprio meio industrial utiliza-se o termo “automação industrial” para sua designação. E é claro, continuando com a abordagem do problema, vemos que o uso da mecatrônica nas escolas não significa apenas ensinar a construir robôs ou braços mecânicos e muito menos controlar dispositivos pré-fabricados pelos computadores. Existe muito mais que pode ser feito para se usar tecnologia no ensino. Existe uma enorme gama de atividades que podem ser incluídas no currículo escolar para ensinar tecnologia e uni-la com temas de outras ciências, os chamados “temas transversais”.   
Partindo dos fundamentos da eletrônica e unindo estes conhecimentos à mecânica, podemos construir uma boa quantidade de projetos, dos mais simples aos mais complexos, que podem ser usados, não apenas para ensinar tecnologia, mas como apoio ou tema transversal de outras ciências. Isso é que entendemos por ensinar e usar tecnologia nas escolas de nível fundamental e médio. É o que estamos descobrindo em nosso país, principalmente com as recomendações dos PCNs, e também em outros países onde a mesma abordagem está sendo adotada. Temas transversais unindo tecnologia com ciências como a física, biologia, química e mesmo as ciências humanas estão sendo recomendados nas grades curriculares de diversos níveis.
Mas, o que realmente podemos ensinar em termos de tecnologia nas escolas de nível fundamental e médio? Como obter vantagens da introdução da eletrônica e mecatrônica em sua forma básica nas escolas de nível fundamental e médio? Ensinar como soldar, como fazer montagens simples usando componentes comuns, como ler diagramas, tudo isso baseado numa “tecnologia intermediária” permite preencher o vazio que existe no currículo de ciências das escolas do Brasil e de muitos outros países.
De fato, a física tradicional, como estudada hoje nas escolas, termina onde a eletrônica de 60 anos atrás começa. A tecnologia que os estudantes de engenharia encontrarão nos seus estudos nada tem a ver com a eletrônica de 60 anos atrás e muito menos com a física. Salta-se da tecnologia do resistor e do capacitor do curso médio para a tecnologia do circuito integrado, do microprocessador e do microcontrolador sem passar pela tecnologia intermediária dos diodos, transistores, e outros dispositivos de estado sólido.
A engenharia tem de preencher uma lacuna que poderia não existir se essa tecnologia fosse introduzida, mesmo que de forma superficial, nas escolas de nível fundamental e médio. Os estudantes (e mesmo professores) não sabem como simples utilidades domésticas funcionam, mesmo o fundamental, e a maior parte dessas pessoas não consegue usar uma boa parte das suas funções. Você sabe usar todas as funções do controle remoto de sua TV?
Uma pesquisa recente mostrou que uma boa parte dos acidentes que ocorrem com utilidades domésticas comuns poderia ser evitada se as pessoas envolvidas soubessem um mínimo de seu princípio de funcionamento. Por isso, conhecer tecnologia básica não é apenas uma necessidade para se enfrentar uma carreira profissional no futuro, é também uma questão de segurança! Aprendendo como um transistor funciona é mais fácil entender o que é um circuito integrado e a partir daí, para chegar ao funcionamento de um computador é apenas um pequeno salto.
Entendemos por tecnologia intermediária aquela que usa componentes que são mais avançados que os componentes passivos (resistores, capacitores, etc.) da física do nível médio, mas menos complexos que os microprocessadores e DSPs de computadores e telefones celulares que contém milhões de funções. É a tecnologia do componente discreto como o transistor, o diodo, SCR, LED e outros que tem a grande vantagem de ser acessível a todos com um mínimo de conhecimento, ferramentas e não exige uma habilidade fora do comum para poder ser usada em montagens. Muito pelo contrário, é facilmente manuseada por qualquer um, mesmo pelos estudantes do ensino fundamental e médio. Transistores, SCRs, diodos, resistores, capacitores, LEDs, etc. podem ser manuseados com facilidade e a partir disso, pode servir para a realização de montagens que desenvolvem habilidades, revelam vocações e muito mais que isso: mantém aguçada a coordenação motora fina que nossos estudantes estão perdendo.
O medo é justificado, mas fazer montagens é muito mais simples do que muitos pensam. Alunos da sétima série do nível fundamental aprendem facilmente a usar um soldador para surpresa dos professores que têm medo, já que nunca usaram esta ferramenta! Desenvolver habilidades, revelar vocações, unir a tecnologia com as ciências com temas cruzados, promover o uso das mãos mantendo a habilidade de manusear pequenos objetos é justamente o que propomos com nosso método. Para os educadores daremos as ferramentas que permitirão que eles usem a tecnologia nas suas aulas, e para os alunos uma coletânea de projetos que podem ser usados nas aulas, em trabalhos de pesquisa, em feiras de ciências e muito mais.

5 Comentários

  1. SR eu tenho 12 anos e eu não sei fazer nada pf me ajude eu queria tanto saber a fazer algo {robo} pf se der para mim ajudar me ajude pf brg

  2. oi tenho 15 anos e to participando de um feira de cutura com o tema tecnologia e presiso de ajuda ñ sei oq fazer se tiver auguma sujestao por favo me fale.quero criar um robo me ajude


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